A disbiose intestinal é um desequilíbrio na composição da microbiota intestinal — os trilhões de microrganismos que vivem no intestino e participam de funções essenciais, como digestão, imunidade e produção de vitaminas. Esse desequilíbrio pode causar sintomas como inchaço abdominal, gases, prisão de ventre, diarreia, intolerâncias alimentares e até alterações de humor e queda na imunidade.
A boa notícia é que a alimentação tem um papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento da disbiose.
Alimentos que agravam a disbiose
Alguns hábitos alimentares favorecem o crescimento de bactérias patogênicas e enfraquecem as bactérias benéficas, contribuindo para o quadro de disbiose:
- Açúcar refinado e ultraprocessados: alimentos ricos em açúcar simples e aditivos químicos alteram o pH intestinal e favorecem bactérias nocivas.
- Gorduras saturadas e trans: presentes em frituras, fast food e industrializados, estão associadas à inflamação intestinal.
- Excesso de álcool: compromete a integridade da mucosa intestinal e afeta diretamente a microbiota.
- Glúten e lactose (em alguns casos): podem ser mal digeridos em pessoas com disbiose e agravar os sintomas.
Alimentos que ajudam a restaurar o equilíbrio intestinal
Uma alimentação anti-inflamatória, rica em fibras e com compostos que alimentam as boas bactérias (os prebióticos), é essencial para tratar a disbiose. Veja os principais grupos:
1. Fibras prebióticas
Alimentam as bactérias boas e estimulam sua multiplicação. Fontes:
- Alho, cebola, alho-poró, banana verde, aspargos, alcachofra, aveia e linhaça.
2. Probióticos naturais
São alimentos que contêm microrganismos vivos benéficos.
- Iogurte natural, kefir, kombucha, chucrute e missô.
3. Frutas, legumes e verduras variadas
Ricas em fibras solúveis, antioxidantes e compostos anti-inflamatórios, ajudam a diversificar a microbiota intestinal.
4. Fontes de gordura boa
Abacate, azeite de oliva extravirgem, sementes e oleaginosas possuem ação anti-inflamatória e contribuem para a saúde da mucosa intestinal.
Outras estratégias que auxiliam no tratamento
- Evitar uso indiscriminado de antibióticos
O uso repetido de antibióticos sem indicação clara pode eliminar também as bactérias boas da microbiota. - Incluir alimentos fermentados com moderação
Eles auxiliam na recolonização intestinal, mas devem ser bem tolerados caso haja inflamação ou SIBO (supercrescimento bacteriano). - Suplementação personalizada
Em alguns casos, o uso de probióticos e prebióticos em cápsulas pode ser indicado. A escolha deve ser feita com base nas cepas corretas, conforme os sintomas e exames.
Quando buscar acompanhamento
Alterações intestinais persistentes merecem avaliação profissional. Uma conduta adequada pode envolver ajustes na dieta, solicitação de exames, suplementação e, em alguns casos, o uso de nutracêuticos específicos.
Referências:
- Thursby, E., & Juge, N. (2017). Introduction to the human gut microbiota. Biochemical Journal, 474(11), 1823–1836. https://doi.org/10.1042/BCJ20160510
- Valdes, A. M., et al. (2018). Role of the gut microbiota in nutrition and health. BMJ, 361, k2179. https://doi.org/10.1136/bmj.k2179
Marco, M. L., et al. (2021). Health benefits of fermented foods: microbiota and beyond. Current Opinion in Biotechnology, 70, 160–167.

