Por Nutri Fernanda Melnic | CRN 10030
Barriga inchada, excesso de gases, dor abdominal e alterações no intestino podem ter diferentes causas. Uma delas é a SIBO, sigla para supercrescimento bacteriano no intestino delgado.
Quando o diagnóstico é confirmado, surge outra dúvida: como funciona o tratamento para SIBO?
A resposta vai além de simplesmente retirar alguns alimentos. O tratamento precisa considerar os sintomas, possíveis causas associadas e, principalmente, uma estratégia para evitar restrições alimentares desnecessárias.
O que é SIBO?
A SIBO ocorre quando existe uma quantidade excessiva ou uma alteração da população de bactérias no intestino delgado.
Entre os sintomas associados estão distensão abdominal, gases, dor ou desconforto abdominal e diarreia. Em casos mais importantes, também podem ocorrer alterações na absorção de nutrientes.
Mas esses sintomas também aparecem em outras condições gastrointestinais. Por isso, ter barriga inchada ou muitos gases não significa automaticamente ter SIBO.
Como é feito o tratamento para SIBO?
O tratamento para SIBO não deve se limitar aos sintomas.
É importante investigar fatores que podem estar favorecendo o problema e corrigir possíveis deficiências nutricionais. Quando indicado pelo médico, antibióticos podem fazer parte do tratamento.
Uma publicação oficial da Federação Brasileira de Gastroenterologia de 2025 reforça justamente uma abordagem que pode envolver tratamento medicamentoso, modificações alimentares e acompanhamento, considerando também o risco de recorrência.
Qual é o papel da alimentação no tratamento para SIBO?
A alimentação pode ajudar principalmente no controle dos sintomas e na adequação nutricional, mas dieta não deve ser tratada como solução isolada para eliminar a SIBO.
Dependendo do caso, estratégias com redução temporária de determinados carboidratos fermentáveis, como a abordagem low FODMAP, podem ser consideradas.
Isso não significa retirar permanentemente uma grande quantidade de alimentos.
Dietas muito restritivas, especialmente quando mantidas sem necessidade, podem dificultar a adequação nutricional e tornar a alimentação cada vez mais limitada.
Por isso, a estratégia deve ser individualizada e ajustada ao longo do acompanhamento.
SIBO tem cura ou pode voltar?
A recorrência é possível.
Esse é justamente um dos motivos pelos quais o tratamento para SIBO precisa olhar além da redução imediata dos sintomas.
Se existem fatores predisponentes que continuam presentes, simplesmente repetir restrições alimentares pode não resolver o problema.
O acompanhamento deve considerar a resposta ao tratamento, sintomas, alimentação e possíveis fatores associados à recorrência.
Probiótico é indicado para SIBO?
Não existe uma recomendação de que toda pessoa com SIBO deva utilizar probióticos.
As evidências sobre o uso de probióticos ainda são heterogêneas, e a decisão precisa considerar o quadro individual. O mesmo vale para suplementos e estratégias alimentares encontradas na internet.
Mais produtos não significam necessariamente um tratamento melhor.
Preciso fazer dieta para SIBO para sempre?
Não deveria ser esse o objetivo.
Quando uma estratégia alimentar mais restritiva é utilizada, ela deve ter indicação e acompanhamento. O objetivo é controlar sintomas sem manter exclusões desnecessárias por tempo indefinido.
Na Woitas, o acompanhamento nutricional intestinal busca entender sintomas, alimentação, tolerâncias individuais e necessidades nutricionais para construir uma estratégia possível de ser mantida.
No tratamento para SIBO, tão importante quanto saber o que retirar temporariamente é entender quando e como ampliar novamente a alimentação.
Referências científicas
- Silva BC, Ramos GP, Barros LL, et al. Diagnosis and treatment of small intestinal bacterial overgrowth: an official position paper from the Brazilian Federation of Gastroenterology. Arquivos de Gastroenterologia. 2025;62.
- Pimentel M, Saad RJ, Long MD, Rao SSC. ACG Clinical Guideline: Small Intestinal Bacterial Overgrowth. American Journal of Gastroenterology. 2020;115(2):165-178.
- Quigley EMM, Murray JA, Pimentel M. AGA Clinical Practice Update on Small Intestinal Bacterial Overgrowth: Expert Review. Gastroenterology. 2020;159(4):1526-1532.
- Ginnebaugh B, Chey WD, Saad R. Small Intestinal Bacterial Overgrowth: How to Diagnose and Treat (and Then Treat Again). Gastroenterology Clinics of North America. 2020;49(3):571-587.
