Ferritina baixa: sintomas, causas e quando investigar

Por Dr. Raphael Kondo | CRM 38044

Cansaço frequente, queda no rendimento físico e dificuldade de concentração podem ter muitas causas. Uma delas é a deficiência de ferro, que nem sempre começa com anemia.

A ferritina baixa pode indicar que as reservas de ferro do organismo estão reduzidas. E isso pode acontecer antes mesmo de alterações importantes na hemoglobina aparecerem no exame de sangue.

Por isso, olhar apenas para a presença ou ausência de anemia pode não contar toda a história.

O que significa ferritina baixa?

A ferritina é uma proteína utilizada como marcador das reservas de ferro do organismo. A Organização Mundial da Saúde considera sua dosagem um importante recurso para avaliar deficiência de ferro.

Quando encontramos ferritina baixa, é necessário interpretar o resultado junto a outros exames e ao contexto clínico.

Isso é especialmente importante porque processos inflamatórios podem aumentar a ferritina e dificultar a interpretação isolada do exame.

Ferritina baixa pode acontecer sem anemia?

Sim.

A deficiência de ferro pode existir mesmo quando a hemoglobina ainda está dentro dos valores de referência. Ou seja, é possível apresentar ferritina baixa sem anemia.

Essa diferença é importante porque o ferro participa não apenas da formação da hemoglobina, mas também de diferentes processos relacionados ao funcionamento do organismo.

Quais são os sintomas de ferritina baixa?

Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Quando presentes, a deficiência de ferro pode estar associada a manifestações como cansaço, menor tolerância ao exercício e redução do desempenho físico.

Porém, esses sintomas não são exclusivos da deficiência de ferro. Cansaço, por exemplo, pode ter diversas outras causas.

É justamente por isso que sintomas isolados não devem ser usados para fazer um diagnóstico.

O que pode causar ferritina baixa?

Descobrir que existe ferritina baixa é apenas uma parte da investigação. Também é importante entender por que as reservas de ferro diminuíram.

Entre as possibilidades estão ingestão insuficiente de ferro, aumento das necessidades do organismo, menstruações intensas, gestação, alterações na absorção intestinal e perdas de sangue.

Dependendo da idade, sexo e histórico clínico, outras causas também podem precisar ser investigadas. Recomendações atuais reforçam a importância de identificar a origem da deficiência em vez de apenas repor ferro indiscriminadamente.

Como aumentar a ferritina?

O tratamento depende da causa e da intensidade da deficiência.

Em alguns casos, ajustes na alimentação podem fazer parte da estratégia. Em outros, pode existir indicação de suplementação de ferro por via oral ou, em situações específicas, outras formas de reposição.

Tomar ferro sem avaliação não é recomendado. A suplementação desnecessária pode provocar efeitos adversos e não resolve uma eventual causa subjacente da alteração.

Na Woitas, a investigação considera exames laboratoriais, alimentação, sintomas, histórico clínico e possíveis fatores associados para definir uma conduta individualizada.

Ferritina baixa não é apenas um número no exame. O mais importante é entender o que está provocando essa alteração.

Referências científicas

  1. World Health Organization. WHO guideline on use of ferritin concentrations to assess iron status in individuals and populations. Geneva: WHO; 2020.
  2. Iolascon A, Andolfo I, Russo R, et al. Recommendations for diagnosis, treatment, and prevention of iron deficiency and iron deficiency anemia. HemaSphere. 2024;8(7).
  3. DeLoughery TG, Jackson CS, Ko CW, Rockey DC. AGA Clinical Practice Update on Management of Iron Deficiency Anemia: Expert Review. Clinical Gastroenterology and Hepatology. 2024;22(8):1575-1583.
  4. Clénin GE. The treatment of iron deficiency without anaemia (in otherwise healthy persons). Swiss Medical Weekly. 2017;147.

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