Por Nutri Chrissy Covatti | CRN 9825
Você acabou de comer, mas pouco tempo depois surge uma vontade específica de chocolate, doce ou algum alimento que traz conforto. É fome ou vontade de comer?
A fome emocional é frequentemente descrita como o ato de comer influenciado por emoções e não apenas pela necessidade fisiológica de energia. Estresse, tristeza, ansiedade, tédio e até determinadas situações da rotina podem interferir no comportamento alimentar.
Isso não significa que toda vontade de comer sem fome seja um problema. A alimentação também envolve prazer, cultura e vida social. O ponto de atenção está na frequência e na relação que se estabelece com a comida.
O que é fome emocional?
Na fome emocional, fatores emocionais podem influenciar quando, quanto e o que uma pessoa come.
O estresse é um bom exemplo. Estudos mostram que ele pode alterar o apetite e o comportamento alimentar, embora a resposta não seja igual para todas as pessoas. Algumas comem mais em situações de estresse, enquanto outras apresentam redução do apetite.
Por isso, identificar fome emocional exige observar padrões, e não apenas um episódio isolado.
Fome emocional e fome física são diferentes?
A fome física está relacionada às necessidades fisiológicas do organismo e tende a aumentar gradualmente conforme passa o tempo desde a última refeição.
Já a vontade de comer relacionada às emoções pode aparecer mesmo sem uma necessidade energética evidente e estar associada a situações específicas, como um dia estressante, frustração ou tédio.
Mas essa diferença nem sempre é tão simples. Fome, emoções, ambiente, hábitos e disponibilidade de alimentos podem atuar ao mesmo tempo.
Como identificar a fome emocional?
Uma estratégia é começar a observar o contexto em que a vontade de comer aparece.
Pergunte a si mesmo: faz quanto tempo que eu comi? Eu aceitaria uma refeição normal ou quero um alimento muito específico? Essa vontade apareceu depois de alguma situação emocional? Estou comendo porque estou com fome ou porque quero aliviar uma sensação?
Esse tipo de percepção pode ajudar a reconhecer padrões sem transformar a alimentação em uma sequência de proibições.
Fome emocional significa falta de controle?
Não.
Tratar a fome emocional simplesmente como falta de disciplina ignora que o comportamento alimentar é influenciado por fatores fisiológicos, psicológicos e ambientais.
Inclusive, revisões científicas mostram que a relação entre emoções e ingestão alimentar é complexa e que os resultados encontrados nos estudos não são iguais para todas as pessoas.
Quando episódios de comer por emoções são frequentes, geram sofrimento ou vêm acompanhados de sensação recorrente de perda de controle, é importante buscar avaliação profissional.
Como lidar com a fome emocional?
O primeiro passo não precisa ser cortar alimentos ou começar uma dieta ainda mais restritiva.
No acompanhamento nutricional, é possível avaliar rotina alimentar, distribuição das refeições, saciedade, restrições excessivas, relação com determinados alimentos e os contextos em que a fome emocional costuma aparecer.
Na Woitas, o acompanhamento nutricional considera não apenas o que está no prato, mas também a rotina e as necessidades individuais de cada paciente.
Entender por que você está comendo pode ser tão importante quanto entender o que você está comendo.
Referências científicas
- Evers C, Dingemans A, Junghans AF, Boevé A. Feeling bad or feeling good, does emotion affect your consumption of food? A meta-analysis of the experimental evidence. Neuroscience & Biobehavioral Reviews. 2018;92:195-208.
- Bongers P, Jansen A. Emotional eating is not what you think it is and emotional eating scales do not measure what you think they measure. Frontiers in Psychology. 2016;7:1932.
- Reichenberger J, Schnepper R, Arend AK, Blechert J. Emotional eating in healthy individuals and patients with an eating disorder: evidence from psychometric, experimental and naturalistic studies. Proceedings of the Nutrition Society. 2020;79(3):290-299.
- Epel ES, et al. Identifying stress-related eating in behavioural research: a review. Hormones and Behavior. 2020;124:104752.
